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quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Idiota, porque não?

Recebi esse texto no meu e-mail, que pena que não está assinado pelo autor. Se foi você quem o criou fique a vontade para reclamar a autoria, tenho o maior prazer em lhe dar os créditos.

O idiota e a moeda

Um grupo de pessoas se divertia com o idiota da aldeia. Um pobre coitado, de pouca inteligência, vivia de pequenos biscates e esmolas. Diariamente eles chamavam o idiota ao bar onde se reuniam e ofereciam a ele a escolha entre duas moedas: uma grande de 400 REIS e outra menor, de 2.000 REIS. Ele sempre escolhia a maior e menos valiosa, o que era motivo de risos para todos.

Certo dia, um dos membros do grupo chamou-o e lhe perguntou se ainda não havia percebido que a moeda maior valia menos. Eu sei, respondeu o tolo assim: - "Ela vale cinco vezes menos, mas no dia que eu escolher a outra, a brincadeira acaba e não vou mais ganhar minha moeda".
Pode-se tirar várias conclusões dessa pequena narrativa. A primeira: Quem parece idiota, nem sempre é. A segunda: Quais eram os verdadeiros idiotas da história? A terceira: Se você for ganancioso, acaba estragando sua fonte de renda! Mas a conclusão mais interessante é: A percepção de que podemos estar bem, mesmo quando os outros não têm uma boa opinião a nosso respeito.

Portanto, o que importa não é o que pensam de nós, mas sim quem realmente somos. Qual é a moral?????? "O maior prazer de um homem inteligente é bancar o idiota diante de um idiota que banca o inteligente".

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quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Qual é a Receita da Criatividade?

A resposta é: não existe. Aliás, não me considero nem qualificado pra falar sobre esse tema. Sempre gosto de ouvir as dicas dos mais experientes. Isso sim, ouvir me ajuda muito. Ouçamos (ou leiamos), então, as dicas do Luli Radfahrer, DWD:3.

Criatividade – 10 dicas

Antes de mais nada: não existe “receita mágica” para se ter idéias diferentes. Qualquer um que tente convencê-lo do contrário tem boas chances de, na melhor das hipóteses, estar iludido – ou não saber ao certo o que criatividade significa. Afinal de contas, a partir do instante em que haja uma fórmula para se pensar novas coisas, elas já não serão mais novas.Não sou psicólogo nem “criativólogo”, tudo que conheço na área vem de prática e observação. Quando estou bloqueado, sempre penso em crianças e no que elas fariam. Observando-as, descobri algumas atitudes que podem ajudá-lo a buscar saídas originais para os mesmos velhos problemas. Seguem algumas delas:

Relaxe. Essa é a dica mais importante. Para se ter idéias é preciso estar em um estado de espírito tranqüilo, com o mínimo de estresse possível. Pense em outras atividades que sempre mudam: dançar, cozinhar, fazer piadas... sob pressão, buscamos atalhos para o raciocínio, e as velhas rotas são sempre mais rápidas e seguras.

Colecione tudo que puder. Rótulos, embalagens, folhas, revistas velhas... junte todas as tranqueiras que conseguir. Quando reciclada, essa velharia que inferniza o seu próximo pode ser de grande serventia.

Seja curioso. Aprenda outras coisas, não tenha medo de perguntar tudo, mesmo que não tenha nada a ver com a sua área. Os verdadeiros criativos não são esnobes nem auto-centrados. Quem age assim normalmente é só inseguro.

Mexa-se. Dê uma caminhada, tome um banho. Ative sua coordenação motora e oxigene o cérebro. Dormir também pode ser uma boa, contanto que você tenha um caderno de notas à mão.

Redecore sua mesa, desktop, espaço de trabalho. Mude a posição de mesas, cadeiras e livros, troque seu ponto de vista, coloque objetos interessantes ao alcance da mão, provoque seu subconsciente.

Tome notas. Picasso, Hemingway e muitos outros nunca saíam de casa sem seus caderninhos Moleskine. Boa parte das “sacadas” tende a desaparecer quando tentamos fixá-las na memória. Anote tudo sem compromisso com o layout ou mesmo com a gramática. O caderno não é um diário nem um blog. É seu e só seu.

Desapegue. Dê parte das suas coisas, empreste, troque. Faça o mesmo com suas idéias. Nunca tenha medo que alguém as “roube”. Tenha em mente que, ao contrário de mercadorias, quando se trocam idéias elas não deixam suas mãos. Pelo contrário, ficam mais fortes.

Pergunte “por que as coisas são do jeito que são?” pelo menos umas cinco vezes por dia. Faço isso há anos, o que já me levou a diversas situações constrangedoras.

Desmembre. Divida frases, situações, objetos em diversas partes, nem que seja para descobrir que o todo é muito maior que a soma delas. Ao dividi-las, os objetos e conceitos “grandes” e assustadores são transformados em objetos menores e muito mais maleáveis.

Observe o mundo à sua volta. Preste especial atenção a crianças, camelôs, uniformes, pessoas “diferentes”, artistas e suas obras, brechós, locais abandonados, plantas, mapas, diagramas técnicos, lojas especializadas... há uma enorme riqueza pictórica no mundo.

Se nada disso der certo para se ter uma boa idéia, pelo menos será garantia de diversão e relaxamento, o que sempre é lucro.


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segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Aqui se faz, aqui se atende

Por André Gomes
Fonte: Portal da Propaganda

– Não gostei.
– Por quê?
– Porque não gostei, ué.
– Mas tem algum motivo?
– Tem. Sou o dono da agência. Só gosto do que eu quiser. Rasgue tudo e faça de novo! - gritou o velho tirano a um de seus criativos.

Era assim que ele tratava seus empregados. Objetivamente. E estava tão acostumado a esbravejar e assistir às pessoas sumindo intimidadas de sua frente que quase não acreditou no que viu. Pela primeira vez, alguém respondera a seu grito na mesma altura.


– Faça você, velho ranheta!
– O quê!?
– É isso mesmo, frustrado de quatro patas e um rabo escondido sob uma calça de grife cara! Vá dar patada na mãe!

A surpresa doeu forte. No peito. A vista escureceu. E o velho enfartou.

Quando abriu os olhos, estava em frente a uma grande escada rolante subindo, tão longa que era impossível enxergar o último degrau. A estrutura de metal e borracha sumia entre as nuvens. Ao seu redor, nada.

Mal deu o primeiro passo para cima, as nuvens ganharam a forma de grandes telas de projeção, freqüentadas por seqüências intermináveis de imagens difusas. Uma mãe estapeando uma criança, um adolescente perseguido por seus colegas, um jovem vendendo verdura.

– Mas... esse sou eu!Enquanto subia, a vida do velho passava nas nuvens, projetada em cenas breves.

Viu ali sua infância triste, suas tentativas de trabalhar na juventude em uma grande agência da capital. Relembrou emocionado as tantas vezes em que bateu na porta dos diretores de criação e nada. Chorou mais uma vez em sua partida doída, magoada, para uma cidade menor, com um mercado menos concorrido.

Ele já nem lembrava de quando chegou a Ribeirão do Chavão, uma cidade perdida entre a Terra dos Triquestroques e a Serra do Trocadilho. Ali, as donas-de-casa iam ao supermercado para pagar um e levar dois. E nas promoções de vendas das lojas de eletrodomésticos, sempre dava a louca nos gerentes. Os açougues faziam aniversário e eram os fregueses quem ganhavam presentes. E nas compras a prazo, as entradas ficavam sempre para o ano seguinte.

Os empreendimentos imobiliários de Ribeirão do Chavão traziam sempre um novo conceito em moradia. Os shoppings eram sempre um novo jeito de fazer compras. No inverno, as lojas de roupas tinham sempre uma promoção para esquentar o frio. No verão, uma oferta para refrescar o bolso.

Quanto mais a escada subia, mais ele ia longe no passado sofrido. Relembrou os anos em que vendeu verdura até juntar o dinheiro para abrir uma agência de propaganda. E riu nas cenas em que ganhou a conta do circo e da quitanda. Orgulhou-se ao relembrar que multiplicou o faturamento dos dois. Depois vieram a padaria, o mercado, o açougue, o zoológico e todos os grandes anunciantes da cidade. Em pouco tempo, fez carreira, fortuna e quinze filhos. Cada um com uma mulher diferente.

Depois voltou para a capital, abriu outra agência e a escada chegou ao fim. Uma voz retumbante quase estourou-lhe os tímpanos.

– Então, esta foi a sua vida?
– perguntou a Voz.
– Foi, sim...
– Não gostei!
– Ai...
– Rasgue tudo e faça de novo!

E a Providência Divina mandou o velho de volta para a Terra. Mas não como dono tirano de agência. Ele teria uma segunda chance. Para pagar os pecados, voltou como atendimento.

André Gomes (horadapizza@gmail.com) é jornalista e publicitário.

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terça-feira, 31 de julho de 2007

Já engoli muito sapo!

por Jesus Rufino

"É mais fácil começar com micos e sapos antes de ficar cara a cara com o leão"
Não me venham com essa de saber o que é preciso para ser um publicitário bem sucedido. Eu não sei. Até porque, se eu soubesse, já teria feito o meu primeiro milhão e só passaria um briefing por mais outro milhão.(hehehehe)

O lance é a caça por Leões - entenda Leões como: grande idéia, aquela idéia, a idéia etc – (que coisa mais pobre, redatora fazendo uso do etc. nunca vi nada mais sem criatividade!). Voltando ao assunto, a caça desesperada aos leões, a idéia fixa de 100 entre 100 criativos.

Já ouvi ou li em algum lugar que o único lugar em que sucesso vem antes de trabalho é no dicionário. Pois eu vou pegar emprestada essa frase e vou dar uma adaptada (trabalhar em criação é isso, vai aprendendo): os únicos lugares onde leão vem antes de sapo são dicionário e cabeça de estagiário. Explico: todo mundo sai da faculdade prontinho pra ganhar Leão, mas poucos estão preparados pra engolir sapo. Quando você sai da faculdade, pronto para ganhar as tvs, os rádios, os jornais e as placas de outdoors, imagina que o leão é o único animal que habita a fauna da propaganda. O problema é que esqueceram de te avisar sobre os sapos, os micos e outros bichos.Mas veja, até que isso é bom. É mais fácil começar com micos e sapos antes de ficar cara a cara com o leão, concorda? Não, você não concorda, digo por experiência própria. E é aí que está o problema. Muita gente desiste antes de poder estar realmente preparado para domar o leão. (NÃO desista!)O que acontece é que no começo você tem de mostrar a que veio. Antes de marcar um golaço, você precisa mostrar que está jogando com garra, com amor à camisa, senão a torcida pega no pé e o técnico te manda pro banco. Bom, aí você vem e me diz "pô, mas tem um amigo meu da faculdade que ganhou um leão quando tava fazendo estágio". Sim, é verdade, isso acontece. E é legal, é bacana. Mas aí a cobrança passa a ser maior, percebe? Imagine marcar um gol de bicicleta no seu jogo de estréia. É muito bom, mas é um fardo que você vai ter de carregar. A partir daí as pessoas vão, sempre, olhar para você e se perguntar: "será que o cara é bom mesmo ou foi um lance de sorte?". O tempo e a sua conduta é que vão dizer. Como disse Ruy Lindenberg, citado no livro Criação sem Pistolão, do Carlos Domingos: "Hoje em dia é mais fácil ganhar um Leão do que chegar a ser um bom profissional. Ganhar Leão pode ser fruto de sorte, formar um bom profissional pode levar 10 anos". Portanto, cuidado. Tornar-se um profissional respeitado é resultado de constância, não de arrogância.

O que pouca gente te avisa é que até você pegar filé, vai ter que roer muito osso. Antes de encarar o leão, vai ter que pagar mico, engolir sapos, procurar imagens pro diretor de arte, ficar até tarde, ganhar pouco e ainda ter de desenvolver as idéias dos outros.
Está pensando que acabou? Pois até mesmo quando você já for mais experiente, mais respeitado, vai continuar tendo de aumentar as logos, colocar um esplash, adequar aquela sua idéia genial à vontade do cliente e ainda fazer trabalhos com pouca verba e pouco prazo. Mas, se tudo é assim tão difícil, que vantagem alguém leva em ser publicitário? Bom, tudo bem que você leu meu texto inteiro, mas não vai ter a menor graça seu eu te entregar a resposta assim, de mão beijada. Você vai ter de calçar as botas, se armar até os dentes e se embrenhar no mato pra descobrir. Desculpe, mas publicitário é assim mesmo, um bicho bem esquisito.

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